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A Escrita e a Evolução

19 de set.
3 min de leitura


Uma pessoa pensa que a vida está programada de uma maneira, sem pensarmos que tudo pode mudar da noite para a dia.

Talvez já ouvimos que se está velho para fazer algo diferente, mas apenas digo:

Nunca é tarde para arriscar!


Este pequeno cliché pode mudar muitas vidas, quer se tenha vinte ou cinquenta anos.

Nem todos começam jovens neste mundo da escrita. Outros podem tê-lo feito, mas não partilharam as suas obras até a uma idade mais madura. Há quem nunca as venha a partilhar… e outros que só serão conhecidos após a morte.


Existem exemplos de prodígios que lançaram a sua obra-prima em tenra idade e outros que precisaram de uns valentes anos para mostrarem o seu trabalho. Não somos todos iguais. Claro que a maturidade e a experiência de vida podem ser úteis quando se transpõe para o papel o que pretendemos transmitir.


Cada escritor é único, e as vivências serão uma mais-valia. Temos jovens com obras marcantes que criam furor no mercado editorial, assim como pessoas de idade mais avançada a lançar o livro da sua carreira. Não há idade ou temática certa. O importante é escrever.  


A escrita pode surgir de maneiras muito diferentes na vida de um escritor. Pode nascer por uma necessidade de afirmação, de um desafio ou até como uma jornada de descoberta. Não há uma maneira correta de começar. A única coisa em comum é colocar as palavras no papel.


E quando olhamos para trás, será que ainda nos identificamos com o nosso primeiro projeto? O tempo permite-nos reconhecer a evolução e, provavelmente, não nos revermos tanto no primeiro, pelo menos a nível de escrita. A experiência que adquirimos é importante para aprimorar e evoluir. O passar dos anos, o trabalho constante e a busca pela perfeição fazem com que o autor queira evoluir. Pesquisar e aprofundar-se em temáticas diferenciadas fazem parte da nossa vida. Às vezes, até chegam a existir mudanças no estilo e na abordagem de temáticas com a evolução do processo. Nem todos se deixam ficar na zona de conforto, desafiando-se a cada novo projeto.


A prática, a leitura e o estudo contínuo fazem com que exista um desenvolvimento da escrita de um autor. A dedicação e resiliência são dois ingredientes indispensáveis para essa evolução. Muitos acabam por desistir pelo caminho. Não é uma jornada fácil. Há lágrimas derramadas, solidão, sentimentos de impotência e, acima de tudo, o famoso Síndrome do Impostor — aquele bichinho que nos diz, constantemente, que o nosso trabalho é mau ou que nos compara com outra pessoa.


Claro que o mercado também tem uma parte de culpa neste dito síndrome. Temos de nos abstrair das opiniões alheias e continuar a escrever. Trabalhar para que o próximo seja sempre melhor do que o anterior. Somos capazes de evoluir, de expor as nossas obras. Não podemos deixar que as nossas inseguranças falem mais alto, nem que a opinião alheia nos faça desistir do nosso objetivo.


Escrever tem de continuar a ser prazeroso. Sou apologista de que devemos escrever primeiro para nós e só depois para o público. Somos o nosso primeiro leitor, o nosso maior crítico. Devemos sempre continuar a apostar em nós, a evoluir e, acima de tudo, a continuar porque amamos o que fazemos.


Não existem regras para ser escritor, apenas uma paixão que nos une. Podemos começar aos quinze como ao sessenta, de uma maneira natural ou peculiar. O importante é transpor os sentimentos para o papel, sem nos importarmos com as críticas.

 
 
 

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